A casa pegou fogo: O que a Cia de seguros paga?

A resposta é simples. E você responderia: se eu fiz um seguro contra incêndio no valor de trezentos mil reais, eu receberei uma indenização de até esse valor. Por exemplo, se os prejuízos do incêndio chegaram a cento e cinquenta mil reais eu receberei esse valor, não é? Vamos lá. Vamos tentar decifrar este enigma.

Hum… não é bem assim.

Há duas formas de se contratar um seguro incêndio:

  • Risco absoluto ;
  • Risco proporcional;

Você deve saber como você contratou o seguro. Na maioria das vezes, o seguro incêndio residencial e os seguros de pequenas empresas, chamados seguros multirriscos, são oferecidos pelas seguradoras na modalidade de seguro a primeiro risco absoluto. Isto implica dizer que os prejuízos serão indenizados até o limite da importância segurada, sem a aplicação da cláusula de rateio (mais adiante explico o que é isso).

Aí surge outra pergunta:

Como a seguradora calcula os prejuízos dos segurados?

Vamos por parte. Em se tratando de danos à estrutura do imóvel (prédio), os prejuízos serão calculados, em regra, de acordo com a fórmula FOC.

Assim, o critério utilizado para a depreciação de imóveis será uma adequação do método Ross/Heideck que leva em conta o obsoletismo, o tipo de construção, o acabamento e o estado de conservação da edificação na determinação de seu valor de venda. Esta metodologia resulta na obtenção do fator FOC. Este fator será multiplicado pelo valor unitário da edificação avaliada.  A formulação que determinará a depreciação é dada por:

Foc= R + K* (1-R)

onde: R= coeficiente residual; K= coeficiente de Ross/Heideck.

É possível que você não tenha entendido muito bem. Normal. É coisa de engenheiros/peritos contadores, os quais nem sempre estão de acordo entre si. Vou traduzir: você nunca receberá o que você acha que a sua casa ou loja vale. É simples entender. A fórmula acima quer dizer que haverá uma depreciação pelo uso, idade e estado de conservação do imóvel. Um imóvel de 60 anos, por exemplo, não terá o mesmo tratamento, no sentido acima, que um imóvel de 10 anos. Mas aí você dirá: “há imóveis antigos muito melhor conservado que um seminovo. Pois é. Por isso é que se usam fórmulas etc.

Outra pergunta: e em se tratando de eletrônicos, geladeiras, móveis e utensílios da casa em geral? Você vai receber uma televisão nova? Uma geladeira nova, etc.?   A resposta é NÃO. Também haverá uma depreciação pelo tempo de uso. A seguradora informa como ela fará a depreciação nas condições gerais do contrato. E você terá que apresentar a nota fiscal de compra do aparelho. Caso contrário, a seguradora determinará um limite máximo de indenização, que é pequeno.

Você deve estar pensando: onde tudo isso está escrito. Simples: nas condições gerais dos seguros isso tudo está sempre explicadinho. Basta você ler ou perguntar ao seu corretor.

Continuando, em se tratando de loja as mercadorias danificadas serão indenizadas pela seguradora pelo preço de nota fiscal que você comprou da fábrica e/ou atacadista. Nunca pelo valor de venda da vitrine.

Deixamos para o final a modalidade de seguro incêndio a risco proporcional, quando contratada nesses termos, onde haverá a aplicação da cláusula de rateio. Esta cláusula determina: quando a importância segurada for menor que o valor em risco (valor do bem) o segurado será considerado segurador da diferença. O cálculo da indenização segue a fórmula:

I= P x IS/VR (indenização é igual ao prejuízo vezes a importância segurada sobre o valor em risco).

É fácil entender que quando a importância segurada for igual ao valor em risco, a fração será igual a 1 (hum) e aí o segurado receberá o valor dos prejuízos, ou seja I=P (indenização igual ao prejuízo). Lembro que essa cláusula não se aplica quando o seguro é contratado a primeiro risco absoluto, conforme explicitado ao início dos nossos comentários.

Finalizando, o fundamento para todos esses cálculos está baseado num princípio basilar da atividade securitária: o contrato de seguro não visa lucro. Ou seja, cada um receberá o que for devido, já descontado o tempo de utilização do bem. Esta é a regra geral.

Esclareço que fui sucinto ao tratar do assunto, caberiam mais umas trinta folhas, no mínimo. Mas quem leria?

 

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